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Financiamento por Dívida: Contratos de Empréstimo e Compliance com Cláusulas

Dr. Carlos L. Oliveira09 de set. de 20253 min de leitura
Financiamento por Dívida: Contratos de Empréstimo e Compliance com Cláusulas

Dívida: uma Alternativa ao Equity

Embora o financiamento via *equity* (venda de participação) seja o mais famoso no mundo das startups, o financiamento por dívida é uma alternativa importante, especialmente para empresas que já possuem alguma receita e que não querem diluir a participação dos fundadores. A captação de recursos por meio de empréstimos, seja com bancos, fintechs ou por meio de notas conversíveis, exige a assinatura de contratos complexos e o cumprimento de uma série de cláusulas (os *covenants*). O descumprimento dessas cláusulas pode levar ao vencimento antecipado da dívida, uma situação de alto estresse para o caixa da empresa.

Nota Conversível: a Dívida que Pode Virar Sócio

O instrumento de dívida mais comum em estágio inicial é a Nota Conversível (ou Mútuo Conversível). O investidor empresta dinheiro para a startup, e a dívida será paga no futuro com a conversão em *equity*, geralmente na próxima rodada de investimento. É uma forma de dívida, mas com a expectativa de se tornar uma participação societária.

Empréstimos a Prazo (Term Loans)

Para startups mais maduras, com fluxo de caixa previsível, é possível obter empréstimos a prazo com bancos ou fundos de *venture debt*. O contrato de empréstimo estabelecerá o valor, o prazo, a taxa de juros e, crucialmente, os covenants.

O que são Covenants e por que são Importantes?

Os *covenants* são cláusulas contratuais que impõem obrigações à startup durante a vigência do empréstimo. Eles visam proteger o credor, garantindo que a empresa mantenha sua saúde financeira. Os *covenants* podem ser:

Problemas Legais ?

  • Positivos: Obrigações de fazer (ex: manter um certo nível de faturamento, apresentar relatórios financeiros periódicos).
  • Negativos: Obrigações de não fazer (ex: não contrair novas dívidas acima de um certo valor, não vender ativos importantes sem a autorização do credor).
  • "O monitoramento dos *covenants* é uma tarefa de governança crucial. A quebra de um *covenant* pode dar ao credor o direito de declarar o vencimento antecipado de toda a dívida", alerta Dr. Oliveira, advogado especialista em direito bancário.

    Estruturando o Contrato de Empréstimo

    Ao negociar um contrato de empréstimo, a startup deve prestar atenção:

    • À taxa de juros e às taxas adicionais.
    • Às garantias exigidas (que podem incluir os ativos da empresa ou até mesmo o aval pessoal dos fundadores).
    • Aos *covenants*, buscando negociar metas que sejam realistas e que não engessem a gestão da empresa.

    A Assessoria Jurídica na Captação de Dívida

    A negociação de um contrato de financiamento por dívida exige uma assessoria jurídica especializada. O advogado irá analisar todos os termos do contrato, negociar os *covenants* com o credor e orientar os fundadores sobre as garantias e as responsabilidades que estão assumindo. "O trabalho do advogado é garantir que a dívida que financia o crescimento não se transforme em uma corrente que aprisiona a empresa", conclui Dr. Oliveira.


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